Quem trabalha com pintura a pistola usando tintas e solventes com componentes nocivos, sem proteção eficaz, pode ter direito à insalubridade em grau máximo, de 40%. Veja o valor em 2026 e as provas que ajudam a cobrar.

Acompanhe este artigo até o final que vou lhe explicar a insalubridade no trabalho com tintas e solventes, como thinner e aguarrás. Mais que isso: vou mostrar quais provas guardar para cobrar esse direito.
Quem trabalha com tinta e solvente tem direito à insalubridade?
Na pintura, o contato com produtos químicos e a inalação dos vapores podem prejudicar a saúde. Por isso, é importante observar quais produtos você usa e como realiza o serviço.
O rótulo e a ficha de segurança ajudam a identificar a composição da tinta e do solvente. Guarde também informações sobre o ambiente, a ventilação e a frequência do contato.
Quando a insalubridade por tinta e solvente é de 40%?
A pintura a pistola com tintas, vernizes e solventes contendo hidrocarbonetos aromáticos está prevista como atividade de grau máximo. São componentes químicos que podem aparecer nesses produtos.
Nessa situação, quando a exposição não é eliminada por proteção eficaz, o adicional corresponde a 40%. A perícia identifica os produtos, a forma de pintura e as condições de trabalho.
Para a pintura a pincel com produtos contendo esses componentes, a norma prevê grau médio, de 20%. Por isso, explique se você usava pistola ou pincel e mostre as embalagens.
Luvas e máscara são suficientes para proteger?
A proteção precisa ser adequada aos produtos utilizados e funcionar durante o serviço. Não basta a empresa entregar qualquer luva ou máscara.
Observe se a luva permite o contato com a tinta, se os braços ficam expostos e qual proteção respiratória era usada. O contato com a pele e a inalação dos vapores precisam ser considerados.
Essas informações ajudam a demonstrar a exposição. Fotografias dos equipamentos e registros de entrega e troca dos EPIs também podem ajudar.
Quanto é a insalubridade de pintor em 2026?
Usando o salário mínimo nacional de R$ 1.621,00 como base, o grau máximo de 40% representa R$ 648,40 por mês. O grau médio de 20% representa R$ 324,20.
Veja o cálculo do grau máximo: R$ 1.621,00 × 40% = R$ 648,40. Confira a convenção coletiva da sua categoria para saber se existe uma base diferente.
É bom lembrar que o adicional também entra no cálculo de outras verbas, como férias mais 1/3, décimo terceiro e FGTS. Por isso, a diferença pode ir além do valor que faltou no contracheque.
Antes de cobrar, confira seus recibos de pagamento e os meses em que você prestou seu trabalho nessas condições. Isso ajuda a organizar o período e os valores que precisam ser analisados.
Leia também sobre os valores da insalubridade em 2026 e o adicional de insalubridade do pintor.
Como cobrar o adicional de insalubridade?
Se você prestou seu trabalho nessas condições e o adicional não foi pago, pode buscar a cobrança na Justiça do Trabalho. Em regra, será feita uma perícia para avaliar os produtos ou o risco no local.
Para isso, é MUITO IMPORTANTE reunir provas da sua rotina. Fotos, documentos e colegas que acompanharam o serviço ajudam a explicar o que acontecia.
Então vamos lá! Veja algumas provas que você pode guardar:
- Fotografe mostrando as tintas e solventes, o local da pintura, a sujidade do local de trabalho, fotos das roupas e vestimentas sujas, e tudo mais que estiver com tinta, solvente e demais produtos.
- Fotografe a embalagem das tintas e solventes, guarde rótulos e documentos que demonstrem a toxicidade do produto que você manuseava.
- Se os EPIs não forem adequados, faça fotos, para demonstrar que mesmo com o seu uso, você se sujava com os produtos (foto das mãos e braços).
Guarde também os contracheques, mensagens sobre as tarefas e contatos de colegas que conheçam sua rotina. Registre os fatos sem se colocar em risco e sem expor dados de outras pessoas.
Depois de organizar essas informações, procure um advogado trabalhista para analisar o período trabalhado e o adicional que pode ser cobrado.
Antes de você ir embora, veja como funciona a perícia de insalubridade e periculosidade. Explico o que acontece nesse dia e como apresentar sua rotina de trabalho.
A insalubridade ajuda na aposentadoria especial?
A exposição a agentes nocivos também pode ser importante para a aposentadoria. Peça à empresa o PPP, documento que registra suas condições de trabalho, para a análise do INSS.
O direito à aposentadoria especial tem regras próprias. Cobrar o adicional da empresa não é uma condição para pedir o benefício.
Caso este artigo lhe ajudou, compartilhe com seus colegas. Muitos não sabem desse direito!
Abraço e lhe desejo boa sorte!
Atualizado em 14 de outubro de 2026. Fontes: CLT, artigos 189 a 195; NR-15, Anexo 13; salário mínimo de 2026; INSS, aposentadoria especial.



